LESÃO NO LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR (LCA): SINTOMAS, TRATAMENTO E MAIS

O ligamento cruzado anterior, também chamado de LCA, é um dos principais filamentos do joelho. Ele tem a importante função de manter essa articulação estável quando caminhamos ou corremos e, principalmente, quando fazemos movimentos de rotação do corpo, como ao mudar rapidamente de direção durante uma corrida ou caminhada.

Essa estabilidade fornecida pelo LCA, em conjunto com outros ligamentos, permite que o joelho realize vários movimentos amplos e complexos sem que haja a sensação de que está fora do lugar. Além disso, esse filamento literalmente impede que o joelho saia do lugar ao sofrermos um trauma forte ou uma torção.

O problema é que, como qualquer estrutura do corpo, esse ligamento pode se romper parcialmente ou totalmente, o que ocorre quando o trauma ou a entorse exigem mais resistência do que ele pode suportar.

 

Traumas que causam lesão no ligamento cruzado anterior

 

Normalmente, o trauma que leva à ruptura do LCA é aquele em que o pé fica preso e o corpo tem uma rotação abrupta (como no futebol ou esqui), ou quando se sofre um trauma direto na parte lateral do joelho. Contudo, outros tipos de trauma também podem levar a sua ruptura.

Sintomas

 

O paciente que sofre essa lesão frequentemente percebe um estalido e, em seguida, o joelho fica bastante inchado. Por fim, surge um sintoma de instabilidade que é chamado de “falseio”, o qual significa a falha do joelho em se manter estável durante seus movimentos.

A lesão do LCA gera uma importante instabilidade. Mesmo sendo apenas um dos vários ligamentos do joelho, sua função não é substituída por nenhum outro.

 

Tratamento de lesão no LCA

 

A lesão no ligamento cruzado anterior completa normalmente exige tratamento por cirurgia, pois ele não apresenta uma boa cicatrização.

A lesão parcial também é desafiadora para o ortopedista, pois, apesar do tratamento sem cirurgia – que exige ao menos três meses de descanso – ter sucesso na maioria das vezes, em alguns momentos a cicatrização é insuficiente e o ligamento resultante pode ser tão ineficaz para manter a estabilidade quanto o LCA completamente rompido.

Essa preocupação, inclusive, existe até mesmo para jogadores profissionais, que tem a seus dispor boas equipes médicas, com excelentes profissionais. Por exemplo, Pedro do Fluminense e o Daniel Aves do PSG aparentemente sofreram lesão parcial do LCA. Em ambos casos, foi cogitado o tratamento não cirúrgico, mas os médicos perceberam que isso não devolveria a estabilidade necessária para um atleta de alto nível. No fim, ambos foram submetidos à cirurgia.

Outro fato muito interessante é que as pessoas com lesão do LCA, seja ela completa ou parcial, apresentam chance maior de desenvolver artrose no joelho. Essa possibilidade é maior ainda quando o tratamento inclui cirurgia.

 

Prevenção

 

Todos esses fatos nos mostram quão importante é evitar esse tipo de lesão. Para isso, já existem ferramentas bem eficazes.

Sabe-se que o desequilíbrio muscular nos membros inferiores é uma das causas de lesão do LCA. Ele acontece quando um lado se apresenta bem mais fraco do que o outro ou quando o grupo muscular da coxa anterior (extensores da perna) é mais fraco que a musculatura posterior (flexores), por exemplo. Estudos também mostram que mulheres têm maior propensão a esse desequilíbrio, o que as torna mais propensas a lesão. Esse “desequilíbrio” faz com o LCA seja mais sobrecarregado do que deve ser, pois compensa a fraqueza da musculatura.

Portanto, é importante manter uma rotina de exercícios que estimule o equilíbrio muscular, sempre com orientação de um profissional que conheça bem você e suas necessidades físicas.

Por fim, confira algumas dicas sobre o que todo atleta deve fazer para ter um bom equilíbrio e prevenir a lesão no ligamento cruzado anterior:

  • Realizar exercícios para fortalecimentos dos membros inferiores, criando um equilíbrio entre os grupos musculares anteriores e posteriores;
  • Realizar exercícios para fortalecer o “Core”, fortalecendo os quadris, a pelve e o abdômen inferior;
  • Realizar treinos para um adequado posicionamento do joelho durante os saltos e aterrissagem;
  • Realizar treinos com rotação e movimentação lateral do corpo.

 

Dr. João Paulo Cortez, Ortopedista do Instituto Lerner
CRM: 165876

Publicado no Blog AtivoSaúde

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